De toda aquella multidão desprendia-se rumor confuso, onomatopeas sem sentido, cortadas pelo som d'um pandeiro ou pelas notas estridentes d'um cornetim.

No ar passavam odores acres de frituras rançosas, salchichas que ferviam em gorduras velhas no fundo de largas frigideiras, vinho azedo que bebiam pelo cangirão, café intoleravel feito do cosimento das borras e de tintura de chicoria.{73}

As tabernas regorgitavam de freguezes vorazes.

Muitos, como não tinham onde sentar-se, comiam de pé, ao sol, com o mais invejavel appetite.

A alegria franceza resaltava de toda aquella multidão franca, ruidosa, divertida.

Sentiam-se felizes por aquella excitação ardente, pelos movimentos desordenados, pelos raios do sol que lhes alumiava as faces vermelhas, pelas nuvens de pó amarellento, que se elevava até ao cimo das arvores frondosas, em virtude do caminhar continuo d'aquelle formigueiro humano.

Pelas cinco horas da tarde, um homem que desempenhava as funcções de pregoeiro, attrahiu a attenção de todos com o toque preliminar do seu tambor.

Quando viu em volta um circulo espesso d'ouvintes, dos quaes faziam parte grande numero de convivas de Pozzoli, desenrolou um largo papel e leu esta especie de proclamação:

«O violinista hungaro Remissy, aqui presente, faz saber que offerece um punch aos seus amigos e amigas no proprio local em que foi servido o almoço d'esta manhã, ao qual circumstancias imprevistas fizeram com que não tivesse o prazer d'assistir. Que todos o saibam!»

Acabada a leitura, o pregoeiro affixou o papel no{74} tronco d'uma arvore e depôz tranquillamente no chão o tambor, onde um palhaço o foi buscar.