O visconde era como que uma pessoa da familia da cantora.
Fallavam d'arte, de qualquer assumpto em geral, da novidade do dia.{90}
A Linda, por vezes, quando estavam sós, fallava d'ella propria, com simplicidade, sem a menor affectação, sem se contrafazer, sem se macular.
Contava-lhe o seu passado, fallava-lhe do pae, do que tinha visto, das suas luctas, dos seus successos, das suas dôres.
Antonino absorvia assim, dia a dia, por completo, as mais insignificantes minucias da vida de Laura.
A cantora não dissimulava os seus defeitos ou os seus erros, mas não os exagerava.
No dia em que participou a Antonino que assignára, de manhã, com Pozzoli, uma escriptura d'um anno para cantar no Theatro Italiano, com a multa de cincoenta mil francos para qualquer das partes contractantes, que resolvesse rescindir o contracto, o visconde teve uma contracção nervosa.
Estava escripto que deveria levantar-se entre elles mais aquella barreira.
Antonino não demonstrou descontentamento sobre o contracto propriamente dito, mas ao mesmo tempo indicou uma profunda má vontade contra o Theatro Italiano, contra Pozzoli e o elenco, que considerou muito inferior ao do antigo salão Favart.
Sentiu ver Laura confundida com artistas de valor secundario, n'uma companhia de que Lauretto Mina era primeiro tenor.