Um dia,—na vespera da soirée dada por Pozzoli,—Antonino foi a casa de Laura á hora costumada, duas da tarde, e encontrou-a ao piano.
A pedido do visconde a Linda cantou duas ou tres canções populares hespanholas, de que elle gostava muito, com uma graça e perfeição inexcediveis.
Antonino escutava, como mergulhado n'uma especie d'adormecimento.
Ao contrario do que costumava, pouco a applaudiu.
Ella fechou o piano e approximou-se d'elle.
Fallou-lhe com a affabilidade e a franqueza habituaes.
Vendo, porém que o visconde não lhe respondia, disse-lhe:{98}
—Está hoje muito triste! O que tem, meu amigo? Recebeu alguma má noticia? Estará doente seu pae?
—Effectivamente recebi hoje de manhã uma carta de meu pae, que, felizmente, está bom, assim como minha irmã. A carta só fallava de mim, e em resposta a outras que lhe escrevi nos ultimos dias. Como lhe disse, meu pae é o meu confidente e o meu melhor amigo.
—Se não é por elle, é pelo sr. que está triste? Teve algum desgosto? Diga! Como sabe combinámos que eu seria tambem sua amiga.