Via no rosto de Laura pintada a consternação e a angustia, e nas feições do visconde a indignação e o furor.

Lauretto, ao contrario, estava cada vez mais tranquillo.

De resto, que podiam elles fazer ou dizer?

Por mais indignados que estivessem intimamente, estavam condemnados ao silencio.

Se ella se irritasse pelo procedimento indelicado do tenor, se por uma palavra ou por um gesto deixasse perceber que se considerava offendida, o visconde tinha o direito e o dever de intervir.

E o que se seguiria?

Uma altercação, de que resultaria um desafio, com todas as suas perigosas consequencias.

Se Antonino, retrahindo-se Laura, se mostrasse mais susceptivel que ella e levantasse qualquer termo{106} insolente de Lauretto, faltaria ás mais rudimentares praxes da boa educação, comprometteria a cantora, porque se daria ares de mandar mais que a dona da casa.

O tenor, divertindo-se com a situação embaraçosa do visconde e da cantora, continuou fallando a Laura com toda a liberdade.

E, para completa impertinencia, fallou-lhe na sua lingua patria.