Além d'estas culturas principaes e ainda do arroz, muitas outras se poderiam crear, não só para consumo local, mas talvez tambem para exportação. As arvores de fructo europeias desenvolvem-se bem no districto, conforme se verificou nas plantações de Anguane. As laranjeiras e limoeiros não têm difficuldade em medrar, pois que os ultimos são selvagens, encontrando-se ao longo das margens do Incomati milhares de limoeiros, carregados de esplendidos limões, que se reproduzem sem cultura, para gaudio dos cafres e dos macacos.
Nas vertentes dos Libombos, do rio dos Elephantes, até á fronteira sul do districto, em grande parte dos valles do Incomati, do Umbeluzi e do Limpopo, a creação de gado vaccum far-se-ia sem difficuldade, pois em qualquer d'estes pontos se vêem rebanhos de gado de centenares de cabeças, pertencentes aos cafres. O gado muar e os burros dar-se-iam tambem perfeitamente, podendo prestar grandes serviços n'aquelle paiz em que os cavallos morrem tão facilmente: duas muares vi no Incomati, que, tendo fugido aos donos, se tinham tornado selvagens, vivendo em liberdade e eram magnificos exemplares; infelizmente foram mortas a tiro, por quem decerto tinha pouco bom senso.{49}
O gado lanigero, pelo menos raças semelhantes ás do Transvaal e do Cabo, encontraria tambem magnificas condições de desenvolvimento n'uma extensa zona nas vertentes dos Libombos, onde já se encontra, na posse dos cafres, se bem que em pequeno numero e de raça inferior. A exportação das lãs constitue hoje um dos principaes elementos de riqueza do Cabo da Boa-Esperança e do Transvaal, e podel-o-ia ser tambem de Lourenço Marques.
Na zona que da base da vertente dos Libombos vem até á zona argillosa e humida, encontram-se, quando a população escasseia, avestruzes selvagens, indicando-nos o proveito que pela sua creação poderiamos tirar da região arenosa do districto, de um modo analogo áquelle por que no Cabo da Boa-Esperança se conseguiu tirar d'aquelles animaes um rendimento importante, de centos de mil libras annuaes.
A cultura do arroz e do algodão, o primeiro já hoje cultivado em pequena escala pelos negros, e o segundo, de que já se fizeram ensaios coroados de bom resultado, poderiam tambem concorrer para a prosperidade da colonia.
De tantos elementos de riqueza, e ainda outros que seria longo enumerar, pouco se aproveita hoje, apesar de muitos esforços por vezes empregados pelo governo. Já em 1780 foi necessario que o governador Pereira do Lago, obrigasse{50} os moradores á cultura do algodão, e em 1760 o governador Pedro de Saldanha de Albuquerque forçou os habitantes de Lourenço Marques a entregarem-se á agricultura, «para ao menos evitarem que até o pão e a mandioca lhes viessem de fóra». Que diria elle hoje, em que vem de fóra não só o pão para os brancos, mas ainda o arroz e o milho para os cafres!
Das riquezas mineiras de Lourenço Marques pouco posso dizer. Ha talvez ouro, e minerios preciosos, nos filões dos Libombos e ao norte do districto, na camada de conglomerados, mas das pesquizas até hoje feitas nada se tem conseguido; verdade é que têm sido poucas e mal dirigidas; entretanto alguma vantagem haveria em que se fizessem methodicamente.
Se Lourenço Marques não está em condições de poder, como colonia de exploração propriamente dita, vir a attingir o elevado grau de prosperidade de S. Thomé, Cabo, Java, etc., nem por isso é tão desprotegido pela natureza, como vêmos, que não possa, amparado pela sua colonia commercial, desenvolver-se e medrar, concorrendo em curto periodo para libertar a metropole dos pesados encargos do seu deficit de producção cerealifera.{51}
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