Deixar d'amal-a, não deixava elle, e este incidente, que dera causa a lagrimas, d'um lado, e mágoas do outro, não fez senão accender-lhe mais as labaredas que lhe queimavam o seio.
Todo o amor tem a sua cruz e o seu martyrio, como tem a sua redempção e as suas alegrias.
Magdalena estava soffrendo os martyrios e o peso da cruz do seu amor. A redempção e as alegrias haviam de vir tambem; não podiam faltar, sobretudo a quem era tão digna d'ellas.
No entanto, a formosa menina estava chorando, e sem esperanças de remover a tempestade, que uma imprudencia, filha ainda do seu immenso amor, havia feito desencadear.
N'isto entrou o cabinda; vinha trazer á sua filha um ramo de flores do jardim. Ficou, porém estupefacto, vindo encontral-a soluçando, quando esperava achal-a contentissima.
O negro correu para ella, presentiu as dores que a alanceavam, soffreu com ellas como se foram proprias e cahiu-lhe, de joelhos, aos pés, exclamando:
--Porque chora a senhora moça? o que tem a minha filha?
--Sou muito desgraçada, cabinda!
--O branco...
--Maltratou-me... sahiu... já me não ama!...