Parece-me que não.
As lagrimas teem então a fascinação irresistivel da sympathia, teem o condão poderoso do magnetismo, que attrahe, e enleva, e encanta.
Eram assim as lagrimas da Magdalena.
No entanto, o momento d'exaltação havia passado; haviam cessado os pequenos assomos de cólera, que lhe despertaram as asperezas, com que fôra tratada por Luiz.
Após o seu desabafar, por meio d'uma explosão, em que a vimos, reagindo contra as palavras do sympathico moço, que a estavam ainda ferindo tão injustamente, veio a reflexão e com ella a desculpa, com a qual Magdalena ia já cobrindo Luiz.
Um amor verdadeiro perdoa sempre, porque não deixa de ser amor. Exalta-se facilmente, até com as coisas mais pequeninas, que não lhe escapam, que elle descobre sempre, mas não resiste nunca a proclamar a sua absolvição.
Se é amor verdadeiro!...
Luiz apezar d'aquella scena violenta, d'aquellas arguições irreflectidas, d'aquellas arrogancias geradas pelo seu sentimento ferido e julgado em desprezo, era ainda o eleito de Magdalena, era ainda o homem por quem palpitava o seu coração, por quem floriam as rosas brancas da sua alma candida e perfumada.
Atravez do tenue véo do resentimento em que ella estava, e que mais ou menos a dominava, jazia ainda, illuminada pelos raios deslumbrantes do sol do amor, a imagem de Luiz, a imagem do primeiro homem que a impressionára, e que ella não podia deixar de contemplar com olhos affectuosos, de acariciar com a ideia, de ameigar com o sentimento.
Pobre creança, que o amor começava por beijar tão phreneticamente!