Para um iam desabrochando, embora receiosas e timidas, as flores, cujos perfumes embriagam a vida.

Para outro, os espinhos que magoam, e ferem, e doem a todos os momentos.

E Magdalena, o nosso anjo, Magdalena, a formosa, esperava no entanto, cheia d'anciedade, pela chegada dos dous e pelo resultado d'aquella conferencia que ia ter logar agora.

O que lhe dizia o coração nos sobresaltos com que a agitavam?

O que lhe dizia a alma na esperança que a enflorava?

Tudo lhe dizia amor, ventura e ternuras!

Tudo lhe fallava de felicidades, porque era bondosa, meiga, innocente, candida, e sobretudo, porque era boa filha, porque nunca déra um desgosto áquelle que a mirava doudo d'amor!

XVIII

Muito terrivel é a situação de quem espera, esperando debaixo do pezo d'uma duvida!

A duvida dá ao coração as alternativas da esperança e do receio; da esperança, que faz das horas seculos, do receio, que faz das horas instantes rapidissimos; da esperança, que arrebata com sonhos de dourado enlevo, do receio, que fere com os espinhos d'uma perspectiva má e triste.