E fechou o livro e ficou a scismar, com os olhos negros e formosos, cravados, vagamente, n'um ponto do horisonte.
Passados instantes, encostou a face á mão, como que cedendo ao pêso d'um somno voluptuoso, e por fim deixou cahir o braço sobre a meza e o rosto sobre o braço, n'uma especie de somnolencia, sonhando, talvez, com as phrases do livro, que havia acabado de lêr, e que, sem duvida, a impressionaram ou lhe fallarám á alma.
As borboletas d'azas douradas, lá andavam em volta d'ella, como que embalando-a nos sonhos, que deviam esmaltar-lhe a somnolencia.
O sol havia-se já escondido o bastante para deixar a terra envolta nas sombras do crepusculo.
E a não serem os murmurios da brisa e os queixumes da agua, cahindo no lago pela bocca do tritão, nada mais se ouvia n'aquella hora da tarde, no retiro aonde repousava Magdalena.
De subito começou a fazer-se sentir um leve ruido. Eram as folhas seccas do chão, gemendo debaixo dos pés d'alguem, que se aproximava.
Quem seria?
As aves receiosas deixavam os seus asylos, architectados nos ramos das arvores frondosas, ante a passagem do ser que se aproximava.
Um minuto depois, um negro surgia junto ao lago.
Era o cabinda.