--Vamos, então.
--Vamos.
E tomou a mão a Jorge, e recolheram-se ambos alegres e contentes.
Pouco depois, o piano gemia, debaixo dos formosos dedos da filha do cabinda, uma reverie de deliciosissimas harmonias, d'estas que levam presas, nas suas azas, o espirito até ao céo.
Jorge ouvia-a n'um extase.
Sentado nas commodas almofadas d'uma cadeira estofada, tinha os olhos pregados no rosto da filha mimosa, da filha, que era o seu anjo, o seu encanto, a sua vida, a sua felicidade mais completa, mas alava o espirito ás regiões celestes, nas ondas d'aquella musica, onde, n'uma especie de mystificação, estava vendo a sua adorada Beatriz, a esposa queridissima, que a morte desapiedada lhe arrebatára tão cedo dos braços!
O cabinda, no entanto, jazia no extremo da varanda, que deitava sobre o terreiro, dizendo comsigo a meia voz:
--Os brancos veem amanhã; o mulato virá tambem. Cabinda, a senhora moça é tua filha!
IV
Vai em meio o jantar, no dia seguinte.