Sempre

Sobrinho amigo e agradecido

Alfredo Campos.

A FILHA DO CABINDA

A FILHA DO CABINDA

I

A filha do cabinda é formosa como a visão d'um sonho celeste; meiga como o canto do sabiá, poisado nos galhos do cajueiro, e ingenua como a virgem da innocencia.

O cabinda é negro, e negro de raça fina, mas é branca a sua filha, e filha, porque o velho escravo quer muito á senhora moça, que elle beijava e embalava no seu collo, quando era pequenina.

Revê-se n'ella, e n'ella se mira doido d'affeição o pobre negro, e tanto a gravou na ideia, tanto a traz no coração, que chega até a esquecer-se do trabalho, sujeitando-se ás reprehensões do seu senhor, para, insensivelmente, se entregar a scismar n'ella, que é tão bondosa, tão meiga e tão carinhosa para elle; n'ella, que, por uma destas illusões, d'estas miragens, d'estas doidices, d'um grande affecto e d'uma viva sympathia, chega a julgar realmente sua filha.

E filha do cabinda lhe chama elle.