As harmonias que encheram a sala eram suaves e melancholicas; casavam-se em tudo com o que ella estava sentindo, e transportavam-a a mundos onde nunca tinha subido.
As mãos formosas e delicadas premiam suavemente as teclas de marfim, mas o seu espirito só via uma imagem, aquella musica só lhe repetia um nome:
--Luiz.
E tão embebida estava, tão embrenhada jazia n'aquelle sonho que a dominava, que nem sequer deu pelo cabinda, que surgiu cautelloso a uma das portas.
O negro parou n'uma contemplação, que era a maior prova do seu culto por Magdalena. Mas ao vel-a assim tão preoccupada, ao parecer-lhe triste, approximou-se carinhoso e disse, com toda a sua affeição a transparecer-lhe na voz:
--Ainda está triste a minha filha?
Magdalena como que accordando d'um sonho respondeu:
--Não, cabinda. Agora penso na felicidade.
--E o branco?
--Tenho-o aqui, respondeu, indicando o coração.