Chegaram ao lago. Era completo o silencio. Magdalena entrou para o caramanchão. O negro foi cauteloso collocar-se atraz d'uma das paredes de cipós, que o formavam.
--O negro fica aqui, senhora moça.
--Bem, não falles nem bulas que podes trahir-te.
--Descance a senhora moça.
E Magdalena começou a pensar na imprudencia que estava commettendo.
Todavia, o que não faria ella para receber uma carta de Luiz, de Luiz que amava tanto, e que se ausentára sem tempo, ao menos, para se despedir?
Esteve assim alguns minutos. Ouviam-se apenas o bulir das folhas das mangueiras, a respiração alterada de Magdalena, e o murmurio das aguas, caindo no lago pela boca do tritão de marmore.
O muro, a que se encostava o caramanchão, tinha a altura de metro e meio. Os ramos folhudos d'uma grande tamarindeira furtavam-o, n'aquelle logar, aos raios prateados da lua, deixando-o envolvido n'uma escuridade vaga e indecisa.
De subito a cabeça d'um homem surgiu do lado de fóra; conservou-se attento alguns segundos, como sondando o local, elevou-se depois e saltou para dentro cauteloso.
Era Americo. O negro estava d'espreita e já o tinha sentido.