--Perdão, senhor. Creio que foi para satisfazer ao pedido do seu amigo que aqui veio, e já lhe confessei que não posso demorar-me.
--Para satisfazer ao pedido do meu amigo! Não, não foi para isso, minha senhora.
--Para que foi então? acudiu Magdalena de subito.
--Foi para lhe dizer que a amo, que a adoro, que sou louco, muito louco por V. Ex.a!
--Senhor Americo!
--Oh! não se afflija V. Ex.a Usei d'este estratagema, porque sei que não conseguiria d'outro modo estar junto de V. Ex.a Sei que o seu coração se inclina para Luiz, mas V. Ex.a é que não sabe os sentimentos que o dominam a elle. Julga, no meio da sua ingenuidade que elle a ama tambem, mas creia, que só a ambição o domina. O amor, o fogo, o delirio é nosso, é dos brazileiros, que nascem debaixo d'este sol que queima, e não dos que nascem entre os gelos que petreficam.
--Perdão ainda uma vez, senhor. Ou vem para me dar a carta de Luiz, ou nada tenho que fazer aqui e retiro-me.
--Não; V. Ex.a não se retira assim. Já que consentiu em me receber a esta hora, hade fazer o sacrificio de ouvir-me.
--Não tenho que ouvir-lhe, senhor.
--Mas tenho eu que dizer-lhe. Diga-me V. Ex.a: porque ha de acceitar os galanteios calculados de Luiz e desprezar o sentimento verdadeiro que lhe offereço?