--Bonito, Maria!

E n'isto foram entrando em casa.

Perto da meia noite entrava tambem o mulato no seu quarto da rua dos Pescadores. Levava estampado no rosto a expressão d'um grande descontentamento. A decepção que soffrera fôra grande e, sobre tudo, inesperada.

Depois, não era só isto o que o preoccupava; era tambem a ideia de que tinha ainda novas scenas, apenas Luiz chegasse, porque tinha como certo que Magdalena não deixaria de narrar-lhe a sua ousadia, e tudo quanto tinha acabado de passar-se.

Americo reconhecia agora a falsidade da sua posição.

Além d'isto, se todas estas coisas chegassem aos ouvidos de Jorge, era mais facil que elle perdoasse a Luiz, e attendesse aos rogos de Magdalena, sua filha, do que esquecesse a infamia tentada por Americo.

O que elle tinha como certo; era que as coisas depois dos ultimos acontecimentos, dessem de si, tivessem um resultado qualquer. Luiz era um homem de dignidade e a isto juntava agora todo o amor que o inflammava. E bem ameaçado deixára o mulato antes de partir para Macahé, fazendo-lhe sentir que Magdalena lhe era uma pessoa sagrada, e que teria de justar com elle todas as contas, se de qualquer modo a offendesse, injuriasse ou affrontasse.

Todavia, Americo, apesar de sentir o peso de todas estas reflexões que lhe suggeria o seu espirito, não deixava, ainda assim, de conceber uma esperança. Desanimar, não desanimava.

Tinha a pertinacia dos da sua raça pouco pura, a teimosia dos que, dotados de maus sentimentos e indole perversa, não duvidam nem hesitam em ir augmentando o mal, para conseguirem os seus fins, á medida que os obstaculos, que as barreiras se vão levantando.

Era por isso que o mulato, no silencio do seu quarto, examinando agora o bilhete de Magdalena e a fita de sêda que as tranças dos cabellos d'ella lhe deixaram nas mãos, dizia com expressão de grande malvadez: --Ainda cá está isto! Valem e podem muito estes objectos!