Americo não o esperava de volta tão cedo, e sentiu o que quer que é ao vêl-o entrar, porque estremeceu, e empallideceu subitamente.
Presentiu, naturalmente, a violencia das tempestades, que iam desencadeiar-se, e depois de revolto o mar, quem poderia assegurar-lhe a salvação, ou evitar-lhe um naufragio?
Esperanças, pelo menos, de fazer mal a Luiz, tinha-as elle, embora poucas, mas assentes em que base é que elle não sabia. Resultados da sua indole, da sua perversidade.
Em todo o caso, desistir da lucta, nunca! Seria uma cobardia, uma vergonha immensa, uma nodoa indelevel, segundo o seu parecer, e a isso preferia antes o esmagamento, uma quéda, uma derrota completa, que lhe inutilisasse todos os recursos. Então sim, antes d'isso, não desistiria dos seus intentos.
No entanto, Luiz, entrando em casa, ás oito horas da manhã quiz mostrar-se generoso, ou antes, que tinha confiança em si e em Magdalena, e dirigiu-se a Americo, cumprimentando-o, como que se um resentimento o não estivesse remordendo intimamente.
O mulato respondeu cortezmente, mas com certa frieza.
A sua pallidez, ou antes a mudança de côr que se operara no seu rosto, com a entrada inesperada de Luiz, desappareceram após as primeiras impressões, para dar logar á viva expressão dos desejos que o assaltavam de recomeçar a luta com o seu antagonista.
Tinha o mulato para si, que devia romper, e romper logo, a fim de ganhar sobre o seu adversario a força moral de que precisava. Era uma estrategia boa na apparencia, mas falsa, sem duvida, pelos resultados.
Luiz tambem não era homem para succumbir; dava-lhe alentos o seu amor, e além d'isso era... portuguez!
Ás oito horas e meia entrava Luiz no escriptorio, depois de se ter preparado.