—Sem o leite não poderás passar...
—Passo, sim! Quem foi que disse que não poderei?
—O medico.
—Pois passo, sim. Sem dinheiro é que nada é possivel. Parece-me que se combinaram todos em roubar-me antes da morte... Tenham paciencia um pouquinho! Deixem-me fechar os olhos primeiro... Rim... rim... rim... rim... Está muito direito!... Trinta medidas de leite em seis dias! Nem sei se tomei porção igual em todo o resto da vida! É ter ganho uma fortuna em mais de trinta{162} annos para acabal-a bebendo leite, pagando medico e sustentando boticas... Não quero mais leite! Rim... rim... rim... rim... Aborrece-me a vida, porque tudo nella é má fé e plano de roubo... Ah!... Lá se arrebentou tudo!... Ainda mais esta em cima: o cão preso, por um capricho, para quebrar os moveis e as louças... Mas, esse ruido que agora ouvi muito bem...
—Foi a mesma coisa...
—... não foi là dentro...
—Foi, sim!
—Pareceu-me na sala da frente...
—Não cuidarás de outra coisa?
—E que seria o que cahiu?