—Esther.
—És ciumenta! Fica sabendo: foi no jardim quando eu encommendava as flores. Deve ter sido agua das rozas, Helena, que aqui cahiu... Estás satisfeita?
—Muito pouco. Quando muito, illudida, minha flor, mas não convencida...
—Tu me censuras, e eu que te surprehendo com um esquisito fogo no olhar humido?... Terá sido algum sonho delicioso... A tua voz mesmo é arrastada como a de quem se fatigou num excesso de venturas...
—Que venturas posso ter?
—Em sonhos podemos ser venturosas como jamais seremos na vida real... Morpheu capricha em povoar-nos a mente com espectaculos espantosos. Ha vezes em que, se eu pudesse, esganaria quem me desperta... E outras occasiões, quando volto a mim sem provocação, sou prompta a espantar-me porque me accordei e não morri no meio do prazer sonhado...{21}
—Ha sonhos, effectivamente, que se não deveriam acabar... E não sentes calor, Maria Angelica?
—Algum.
—Neste caso...
—Que fazes?