A custo, como que envergonhada da pobreza da mercadoria, apresentou na tampa d’uma caixa uns anneis de ferro toscamente gravados com um X ao meio.

—«Deixe cá vêr, é isto mesmo, tem até muita graça!—E, descalçando a luva da mão direita, tirou os anneis preciosos, cujo brilho deixou a vendedora estarrecida, para enfiar o pobre e primitivo aro de ferro de que a mulhersinha affirmava as grandes virtudes para afugentar feiteiceiras e maus olhados...

—«Quer isto?—perguntou João sorrindo e escolhendo o mais pequeno d’entre os que lhe apresentavam.

—«Então, não tem caracter?

—«Tem!... É para trazer sempre, não é?—perguntou á mulhersinha, entregando um tostão para pagar o vintem do custo.

—«Decerto que é para trazer sempre—respondeu Bella sorrindo, emquanto se affastavam—se não fôsse isso não era talisman.

—«Quando olhar para esse infimo annel, tão deslocado entre os outros, pensará em mim, Bella?—sorriu melancholico.

—«Dúvida? Mesmo sem esta recordação eu pensaria em si. Então não somos já dois velhos amigos?

—«Eu sou... muito, muito seu amigo.