—«Minhas senhoras e meus senhores, dizem os praticos que vamos emfim ser servidos—gritou o Visconde alegremente.
As conversas suspenderam de prompto e todos, n’uma celeridade que denotava bons appetites, correram para a comprida mesa de pedra, que comportava mais de cem convivas.
Cada qual procurou o logar que melhor convinha aos seus interesses e affeições, foi o motivo por que Bella se encontrou, sem saber como, á direita de João de Mello e com o Telles á esquerda.
Defronte assentava-se a Viscondessa e a muito espirituosa Viscondessinha de Pereira, sua hospede e amiga, casada com o mais condescendente dos maridos e não sabendo que mais mal dissesse do casamento—essa prisão celular para um espirito de mulher superior—dizia. O pobre rapaz, de um loiro deslavado e uns olhos de velha porcelana desmorecida pelo uso, olhava-a encantado com tanta graça e belleza e considerava o casamento a melhor das instituições.
Seguia-se o Ramalho, o dr. Pinto, a baroneza com a sua côrte de pretendentes, e ao fundo o Visconde junto da Candida, que enfeixava no seu côro de louvadores o Braga e os mais rapazes de fóra que a sua excepcional belleza attrahia.
—«Está doente, miss Bella?—perguntou João, cuidadoso, á sua visinha.
—«Não, porquê?
—«Ainda a não vi comer nada...
—«As deusas não comem mais do que petalas de rosa e bebem a doce ambrosia—respondeu do lado o Telles, com o seu ar pretencioso de janota e lyrico provinciano.