—«Deixa lá, João,—acudiu a viscondessa para terminar uma discussão que sempre a irritava entre o egoismo do visconde e o ardente enthusiasmo do primo, que trouxera da Belgica, a par de uma grande instrucção, uma fé sem limites n’um melhor futuro para os despresados de hoje—O dr. soffre o castigo de ser honesto e ter entrado em politiquices de campanario.
—«Queres então dizer que eu não sou honesto, não é verdade?—sorriu com indifferença o visconde.
—«Não é isso, mas tu como chefe tens tido sempre melhor posição e menos responsabilidades locaes...
A conversa terminou, felizmente, pela entrada da Candida que vinha convidar a viscondessa para madrinha do casamento.
Apesar da indiferença que aparentava, o dr. Ramalho soffria com tal campanha; demasiado honesto para usar de processos identicos e pagar diffamação com diffamação, sentia-se adoentar n’uma crise de desânimo que o deixava impotente para a lucta.
Só o dr. Pinto sustentava a retirada desembestando ironias a torto e a direito e conseguindo ridicularisar o Maximiano e a sua malta a ponto de obstar a que todo o partido do visconde, por um resto de pudor, se passasse com armas e bagagens para o campo inimigo.
Mas, contra esta influencia, mais paralysadora do que militante, alevantava-se a do padre Mathias carreando descontentes e ambiciosos que pediam empregos e ganhos, que não se regateavam no partido aos bons serviços politicos.
A sua bilis de atrabiliario extravasava em doestos e arremetidas que visavam todos os contrarios e em particular o abbade a quem odiava e invejava.
O velho padre, que era um bom e um humilde, sem sombra de maldade nem ambições gananciosas, fechava os olhos e desattendia-se para evitar questões, que se lhe afiguravam pouco em harmonia com os deveres da posição de ambos.