Tirou uma moldura de crystal de sobre um contador indio com incrustações de madreperola e mostrou uma linda photographia da Candida, largamente decotada, arrastando uma longa cauda de rainha.
—«É realmente bonita, mas uma formosura fria que me assusta—volveu Bella, entregando o retrato.
—«É porque a conheces mal. A mim succedeu-me o mesmo, sentia até uma especie de repulsão.
—«Emfim... eu cá estou para a ver e modificar as minhas opiniões.
—«É verdade, ainda não te perguntei nada lá de casa. Josephina como está? Ainda muito queixosa da morte da filha?
—«Sempre o mesmo. Estimam-me muitissimo e eu como que preencho o grande vacuo que a infeliz deixou no coração de todos. Mas a casa está tão cheia d’ella que eu mesma me desespero com tal morte.
—«E não a conheceste! Era uma criança encantadora, tudo quanto possas imaginar de mais gracioso e intellectual. A morte d’um filho deve ser para enlouquecer!
—«E deve!... Só eu pensar que me pode morrer o meu filho, e mais ainda não vive senão dentro em mim, parece-me que endoideço!...
—«Bem, mas não se deve agora fallar em coisas tristes, faz-te mal. Teu tio, já o viste?