—«Não sei.

—«É-te indifferente isso?

—«Quasi...

—«Mas o que o retem tanto por fóra?

—«Talvez ainda a politica, talvez os negocios. Sabes que a sua ultima mania é o bric-á-brac?

—«Sempre foi um colleccionador intelligente.

—«Mas agora é negociante. Tem comprado coisas de um alto valor artistico, pequenas maravilhas de arte que nos suggerem toda a grandeza e magnificencia do nosso pais. É prodigioso o que havia e o que ainda existe por ahi!

—«Tem tudo cá em casa?

—«Pouco, o mais precioso e o indispensavel para decorar segundo as suas ideias de artista e de estudioso. Não me interesso como possuidora por essas riquezas que a maré do seu capricho e do seu dinheiro amontôa ou espalha. Doe-me a consciencia só de pensar que o melhor tem seu caminho para o estrangeiro—e nós sem um verdadeiro museu d’arte em Portugal!... Preferia que o Duarte não negociasse, comprasse só para si. Em todo o caso, antes isso do que a politica...

—«Estimas que deixasse a politica pelo bric-á-brac, mas aposto que não gostarias que a abandonasse por uma mulher...