—«São venenos, são, mas a gente já se não sabe curar com outra coisa e então é melhor o sr. Domingos arranjar um praticante.

—«Tem razão, já pensámos n’isso, por isso é que o meu Dóminguinhos anda nos estudios.

—«Ai, é tão esperto!—acudiu a sr.ᵃ Joaquina—fez inzâme oitro dia.

—«Ficou bem?—perguntou João por delicadeza, sem nenhum interesse.

O velho respondeu logo:

—«Olhe que não sei, menino João. Elle mandou-me dizer que sim, mas cá o mê Antoino disse me logo «mê pae não infinte em estudantes, olhe que são todos, com perdão de Vossa Senhoria, uns tratantes!» E vae eu escrevi ao meu cômrrespondente e disse-lhe assim: «eu, Domingos José da Silva, phramaceutico matriculado no largo da Fonte, quero saber se meu filho Domingos José da Silva Juniór fez os inzâmes que disse e se ficou approvado ou reprovado.» E o cômrrespondente mandou dizer «que o estudo que fôra mas que a respeito de inzâmes se lhe tapou a falla nas góllas que não disse nem uma nem duas.

João olhou-o estupefacto, apezar de ha muito conhecer as bernardices do boticario, não sabendo verdadeiramente se lhe devia dar os parabens se os sentimentos, perdido de riso como estava. Livrou-o de maior maçada e do compromettimento d’uma resposta, o dr. Ramalho que entrou na occasião.

—«Inda bem que chegou o senhor doutor,—disse o Domingos esfregando as mãos e empurrando a irmã para dentro, sem a deixar despedir, ao que ella oppunha séria resistencia.

—«Está alguem doente lá em casa?—perguntou o Ramalho, cuidadoso.

—«Não!... Ou sim... doentes estamos todos.