—«Não digo mais de que V. Ex.ᵃ merece.
—Sabe uma coisa? Eu gosto mais que me tratem por Mademoiselle Hortense. É assim que todos me tratam e eu estou tão habituada a fallar francez desde o collegio, que ás vezes dou ordens aos criados e só quando os vejo olhar para mim com caras de parvos, é que percebo que elles não comprehenderam porque fallei francez. É quasi a minha lingua...
—«Pois se Mademoiselle deseja, fallaremos tambem em francez.
—«Pois falla?
—«Alguma coisa.
—«Oh, mas o que me espanta é que sendo um homem tão educado e intelligente possa viver n’uma terra da provincia como esta. Viver toda a vida n’uma aldeia, oh que horror!—e deitava a cabeça para traz n’um gesto verdadeiramente de horrorizada.
—«Vamos ao nosso jogo?—desviou a conversa o Emygdio, vendo que todos o observavam e que no dia seguinte os proprios partidarios invejosos espalhariam pela terra o acolhimento que elle tivera em casa do chefe da opposição.
—«C’est vrai. J’avais oublié! Ma pauvre tête! Repare bem, pega-se na primeira dama e no primeiro rei que nos veem á mão e faz-se um casamento.
—«O que se chama aqui um casamento?
—«É apresentar os dois juntos, é uma especie de casamento civil...