Por isso, tanto ou mais do que o homem, necessita a mulher ser educada e ilustrada, e é, a meu ver, por onde deve principiar a remodelação duma sociedade que seja progressiva.
Educar a mulher—eis o problema maximo a desenvolver e pôr em prática.
A isso é que chamâmos feminismo, que não em pôr gravatas e colarinhos de homem, que se podem usar como prova de simplicidade ou de extravagancia, mas nunca como afirmação de opiniões.
Educar a mulher dando-lhe meios de poder auferir com o seu trabalho o suficiente para a sua sustentação—quando é só—de auxiliar o homem, esgotado pelo trabalho de sobre-posse que lhe exige a concorrencia e a carestia da vida moderna,—quando casada,—parece-nos a maneira mais prática de a tornar um ser livre, apta a escolher por motu-proprio o caminho a seguir direitamente na vida.
Não temam os homens que a mulher instruida, por mais liberta, quebre mais facilmente os laços de conveniencias com que a sociedade a prendeu. Nem sempre foram os conventos, com todas as suas grades e portarias, o mais puro exemplo da castidade feminina; ainda hôje os harens, com todos os seus guardas e eunúcos, são para o ciume do macho bem fragil garantia...
A mulher entregue ao seu proprio discernimento fará o que a consciencia esclarecida e o respeito proprio lhe ensinam, e não o que o mêdo lhe dictar.
Que mérito tem a criatura que não falta aos seus deveres porque está guardada á vista, como um doido furioso?
É certo que no nosso povo está tão enraísado o habito de fazer acompanhar as mulheres, como signal de grandêsa, que é mais uma nobilitação do que uma prova de desconfiança.
Andar só é, ainda hôje, em muitas terras de provincia, uma vergonha para a mulher, mostrando que o marido a não présa bastante para a fazer acompanhar.