O homem vê isso e não se sobresalta nem indigna, porque são trabalhos que elle não quer para si, por mal remunerados.

Se, por acaso, qualquer destes serviços viesse a ser bem pago, não ha duvida que acorreriam logo a pugnar pela fraquêsa da mulher.

Na lucta pela vida o homem é impiedoso para a mulher, que não é a sua. A operaria raro tem no operario um colega e um amigo; tem apenas um homem que a desmoralisa e que a despresa se os trabalhos são diferentes, que a odeia, se é o mesmo, valendo-se de tudo, até das leis protecionistas, como os tipografos francêses—que apelaram para a lei que prohibe o trabalho da mulher feito de noite, para as expulsar das tipografias em que se compõem os jornaes matutinos.

Quando se aventam estas e outras opiniões e estranhêsas, é de uso o homem responder:—mas se a mulher vem concorrer comnosco nas profissões em que hôje nos ocupâmos, o que faremos nós?

O que farão?!... O que fazem os inglêses, muito mais numerosos do que nós e que percorrem o mundo inteiro para ganhar a sua vida; o que fazem os suissos, levantando a sua pequena patria a toda a altura duma grande nação; o que fazem os americanos, os alemães, os suecos e tantos outros, em paizes onde a mulher é equiparada ao homem pelo trabalho.

A riquêsa dum paiz não é espontanea, adquire-se com o trabalho, e o português, que não tem, como o francês, repugnancia pela emigração, tem nas nossas colonias campo vasto para a sua actividade e engenho, alem do muito que ainda tem a fazer na metropole, e sem receio de concorrencias.


ERRATAS

Além de alguns insignificantes erros tipograficos que no sentido da leitura facilmente se corrigem, nóta-se a [pagina 95]:—cimo da bóta, por cano da bóta.

[Mesma pagina]:—lhes traga, por lhes tragam.