A AMA

[A AMA]

uando a Rosita do Simão casou, foi um desconsolo pela rapaziada. Pudera, se ella e a irmã eram das mais bonitas caras da aldeia! Claro que não se poderiam chamar bellezas em qualquer terra de formosuras, mas alli, entre a fealdade quasi geral, pareciam duas flôres. Decerto que era pena ve-la casar com o bruto do Antonio Marques!

A Mariquinhas estava a servir em Lisboa, n'uma bella casa arranjada pelo sr. vigario, e vinha á terra d'annos a annos, toda senhora, toda posta no seu serio—boas mantilhas, bons fatos, uma figurona! E á Rosa, a ter que casar com o Marques, mais lhe valêra ir tambem servir...

Ella é que se não importou com os commentarios, e lá foi toda contente, com o seu vestido preto, o lenço de seda, o chale de vêr a Deus, dar a mão de esposa ao sr. Antonio Marques, que ia todo taful, de capote ás costas e chapéo novo. Foi uma festa.

No poente rubro, tepido, da primavera que ia no fim, a passarada cantava umas alegres canções—coisas d'elles, d'esses vadios sem futuro. Umas pessimas cabeças, as da passarada!