O adoravel perfume, tão fresco das suas arvores de fructo!... E os ramos de flôres tão variadas que seria longo ennumerar, como na sua melancholica egreja devem dizer bem, no altar de Nossa Senhora! Mas o poço que falta lhe faz, á paciente jardineira!
Parece que toda a carta ficou impregnada d'esse aroma honesto de violetas, que desde novembro enchem o paraizo da voluntaria reclusa.
A vaga impressão de sol que lhe suggere o clima de Portugal... Como teria ella aqui formosas flôres para cultivar!
Abre-se deante dos nossos olhos a serenidade da sua vida desfeita e conformada, lendo esta singela carta toda sahida do coração; o amigo Gilbert visitando a familia, e tão triste, elle tambem, com a morte da pobre filha!...
Leva-lhe, Céleste, ao seu coval de virgem, braçadas das tuas flores tão queridas! Leva-lh'as. E será melhor pedires á boa amiga que te deixou, um logar ao seu lado, na pacificação do vosso cemiterio raso. Com o teu coração, Céleste, que farás tu n'este mundo de lama e oiro, pobre querida?!... Pede—aconselho-t'o eu—á filha do teu amigo Gilbert um logarsinho doce onde te deites socegadamente, com a touca engommada pela ultima vez, o teu vestido dos dias felizes, os sapatinhos que nunca terão uso. É o melhor que tens a fazer, se não queres o teu coração gelado pela indifferença alheia, como a neve que nas montanhas alveja deante dos teus olhos sonhadores.
O susto em que vives, sympathica desconhecida, que eu comprehendo e amo. Nem o teu amigo Gilbert, nem esse mesmo deve saber ao certo onde pára o filho prodigo!
Que despedaçadores martyrios e desgostos; que mortificantes saudades curtidas longe!...