«Começava nesse tempo a falar-se nos liberais que se juntavam no desterro para conspirar, os quais, dizia-se, eram recebidos de braços abertos pelo imperador, desde que mostrassem sêr homens de valia e de coragem. Se a causa liberal triunfasse, dizia-se, esses ficariam ricos e cheios de dignidades. Na esperança de por esse meio conquistar a fortuna que lhe asseguraria a felicidade sonhada, o rapaz emigrou e voltou mais tarde com as tropas liberais pondo em todos os átos de coragem da sua brilhante carreira militar o unico fito de libertar a mulher que amava, prêsa num convento e obrigada a professar, embora protestasse sempre e chorasse sem descanso durante toda a ceremonia.

—«Assistiu a essa cêna, sem lagrimas, Madre Angelica?»

—«Felizmente não foi no nosso convento que a fizeram professar, mas, embora as freiras chorassem e a lamentassem, o que lhe podiam ellas fazer?... O sr. bispo era parente da{230} familia, e o sr. bispo é que aprovou a profissão.

—«Pobre mulher!...

—«E bem desditosa! Quando o namorado chegou a Portugal soube da sua profissão violentada, mas não desanimou. Combinou as coisas de modo que se poude corresponder com ella e... combinaram a fuga.

—«Soror Claudea fugiu?

—«Sim, chegou a sahir do convento, descendo por uma corda da altura dum segundo andar. Quando chegou á rua onde elle a esperava tinha as mãos em carne viva, tão feridas que ainda hôje conserva as cicatrizes e ficou com as articulações prêsas...

—«Sim, já tinha reparado que mal pode trabalhar com desembaraço...

—«Fugiram... mas na guerra não ha felicidade possivel. A morte foi tão cruel para o sacrílego como a familia o tinha sido para a desditosa...

—«Infeliz mulher! E depois?