Dizia isto a Zéfa do Padre á Gertrudes Zarôlha, velha conhecida dos longinquos tempos da mocidade, assentadas á porta, com a roca á cinta e o fuso girando e torcendo o linho cuspinhado pelas suas bôcas palreiras.

—«Mas então aquelle desaustinado não diz nada cá á nossa cachopa?!...

—«Qual historia! Que eu saiba, ainda não lhe disse fala pró bem nem pró mal.{46}

—«Que desaforado! O que elle precisava sei eu!... Uma rapariga como a nossa Terezinha!... Crédo, santo nome de Jesus! Mal empregada é ella para tal libertino, que veiu mesmo perdido da tropa!...

—«Lá isso, ó Gertrudes, mau rapaz não é elle, e tem o seu bocadinho...

—«Ah, mas tem uma cabeça mais leve! No nosso tempo parece que não eram assim, ó Senhora Zéfa! Quando algum pretendia duma rapariga, dizia-lho, e estava acabado, iam prá igreja os banhos!...

—«Ora, eu sei lá! Haveria de tudo. Estas coisas esquecem muito, e o nosso tempo já lá vai ha tanto!...

—«Ai eu cá lembra-me perfeitamente, que o meu home assim fez. Foi até numa cava; calhou eu ficar ao pé delle, e fômos ao desafio. Como eu é que ganhei, elle então deu-me um abraço muito grande e disse-me assim:—Ó Gertrudes, és uma mulher duma cana; ámanhã se tu quizeres vou falar ao senhor abade e vame-nos a botar os pregões. E assim é que foi...

—«E eu que ainda me lembra do senhor abade vir p'ra casa a rir muito e a contar o caso á minha tia—que Deus haja! Ainda ella então andava rija e féra, coitadinha.

—«Mas vocemecê já lá estava, pois não estava?{47}