Principalmente na minha pobre mãe, que se julgava uma ignorante,—ella que dirigia a sua casa com tanto criterio e olhava providencialmente por nós todos—fizera profundo sulco a torrente de sabedoria enciclopedica que jorrava enfaticamente da sua bôca.

Logo que chegou, desembaraçada dos apetrechos da viagem, olhou-nos com altivez. Depois tomou-me á sua conta, por sêr eu a mais velha e por ser rapariga. Um dia sujeitou-me a um interrogatorio em fórma:

—«Menina sabe francês?

—«Não, menina não sabia francês.{109}

—«Oh!... vergonha!

Estive para lhe responder:—E a senhora sabe português?!

Chamaram-me sempre atrevida nas respostas, mas o que é certo é que me arrependo sempre das poucas que tenho deixado de dar tal qual as penso.

—«Menina sabe inglês?

—«Não.

—«Oh! sabe desenha?