Meus filhos, castos soes, o meu thesouro immenso,
Por quem me sinto grande, a quem adoro e incenso,
As heras infantis que enleio na Consciencia,
A força que me impelle á lucta da inclemencia
Que aqui, n'este paiz de cousas pequeninas
Odeia a quem cultiva as rosas christalinas
No coração do Bem, Progresso e Liberdade,
Seguem a religião do Justo e da Verdade,
É a sua crença ideal,
Resume-se no amor do seu sentir filial.

Mas tendo a mente forte e despresando os idolos,
E combatendo firme os monumentos frivolos,
Politico-sociaes,
Revoltam-me a Consciencia os actos tão brutaes
Da vida do marquez,
E vejo com tristesa o nome portuguez
Coberto pelo horror,
Quando podia ser um foco de explendor.

A queda do jesuita é justa, é rasoavel;
Expulsa essa barreira imiga insuperavel,
Podia a sociedade erguer-se da ignorancia,
Dormir em paz a Mãe, sorrir a loura infancia
Ao Pensamento novo, a santa aspiração!

É digno de louvor quebrar á inquisição
Os braços da vingança a ira da torpesa.

Mas cobrem-se de lucto as leis da Naturesa,
Mas ouve-se um protesto, a palpitar fremente,
Ao ver, cheio de affronta, um martyr impotente,
Rojado pelo chão, manchado pela lama!
E pelas nações clama
A Ideia humanitaria, amena, e justiceira,
Vendo arrojar um ente á estupida fogueira!

E embora fosse um padre, embora um jesuita,
Embora fosse irmão da raça atroz, precita,
A minha voz sentida
Protesta contra a morte imposta a Malagrida!
Protesto! E emquanto houver
Um coração de luz em peito de mulher,
Meu brado ha de correr nos angulos do mundo,
E em todo o mar fecundo!

VII

Que se ha de então fazer aos grandes luctadores,
Que lançam sobre a Historia as olorosas flores,
E regam com seu sangue os fructos do porvir?
Que fontes de esplendor iremos nós abrir
Ao vidente Danton, a Lincoln, a Blanqui,
O martyr que sorri
Por entre a cerração da noute do tormento?
Que havemos de offertar aos soes do Pensamento?

Nunca apoiei Thiers, nem o chacal da Russia!
Detesto a immanidade, e a vingativa astucia...
O sangue da Communa, as lagrimas de Jessa,
Formaram no silencio a fulgida cabeça
Da indomavel revolta!

O monstro que commanda, em meio de uma escolta
As manobras crueis que geram a orphandade,
É mais feroz que um tigre, e avilta a Humanidade,
E deve ter na mente
A infamia de Javheh, e os odios da serpente.