Foge tudo com o estoiro
E ainda mais com o cheiro,
Aquelles que mais gritaram
São os que fogem primeiro.
Frei João põe em derrota
O resto da fradalhada,
Dizendo-lhe que ainda tem
A peça bem carregada...
SONETO
A UM ZELADOR DOS MIJADEIROS
O incauto saloio, o venal gallego
Espreitas esfaimado atraz da esquina,
Armado de catana serpentina
Vermelho como um paio de Lamego.
Tão ufano estás com teu sujo emprego,
Que pareces uma ave de rapina,
Prendendo a trouxe mocho quem urina
Com a velha chibança d'um morcêgo[1].
Não sejas papelão, pesa as razões,
Olha que se a fortuna não sorri,
Falta o mijo e adeus os dez tostões!
Por isso vou um conselho dar-te aqui:
É que respeites todos os mijões
Em quanto mijando forem p'ra ti.
[1] Antigo soldado da policia.