Emquanto tu dormias impassivel,
Topámos no caminho a liberdade
Que nos sorrio com gesto indefinivel…
Já provámos os fructos da verdade…
Ó Deus grande, ó Deus forte, ó Deus terrivel.
Não passas d'uma van banalidade!—»
II
Mas o velho tyranno solitario,
De coração austero e endurecido,
Que um dia, de enjoado ou distrahido,
Deixou matar seu filho no Calvario,
Sorrio com rir extranho, ouvindo o vario
Tumultuoso côro e alarido
Do povo insipiente, que, atrevido,
Erguia a voz em grita ao seu sacrario:
«—Vanitas vanitatum! (disse). É certo
Que o homem vão medita mil mudanças,
Sem achar mais do que erro e desacerto.
Muito antes de nascerem vossos paes
D'um barro vil, ridiculas crianças,
Sabia em tudo isso… e muito mais!—»
Mors liberatrix
(A Bulhão Pato)
Na tua mão, sombrio cavalleiro,
Cavalleiro vestido de armas pretas,
Brilha uma espada feita de cometas,
Que rasga a escuridão como um luzeiro.