Verbo crepuscular e intimo alento
Das cousas mudas; psalmo mysterioso;
Não serás tu, queixume vaporoso,
O suspiro do mundo e o seu lamento?

Um espirito habita a immensidade:
Uma ancia cruel de liberdade
Agita e abala as formas fugitivas.

E eu comprehendo a vossa lingua estranha,
Vozes do mar, da selva, da montanha…
Almas irmans da minha, almas captivas!

II

Não choreis, ventos, arvores e mares,
Côro antigo de vozes rumorosas,
Das vozes primitivas, dolorosas
Como um pranto de larvas tumulares…

Da sombra das visões crepusculares
Rompendo, um dia, surgireis radiosas
D'esse sonho e essas ancias affrontosas,
Que exprimem vossas queixas singulares…

Almas no limbo ainda da existencia,
Accordareis um dia na Consciencia,
E pairando, já puro pensamento,

Vereis as Formas, filhas da Illusão,
Cahir desfeitas, como um sonho vão…
E acabará por fim vosso tormento.

Voz interior

(A João de Deus)