NA PRIMEIRA PAGINA DO INFERNO DO DANTE
(C. C. P. P.)
Este é o livro das vinganças nobres,
O inferno dos que têm o céo na terra:
Nem vingança; justiça.
—Oh vós que as lagrimas
Trazeis sempre nos olhos, sem que sequem,
Lazaros no banquete da existencia,
Oh filhos do dever! lêde este livro,
Porque atravez de um mundo de miserias,
Do largo perigrinar chegando ao termo,
Heisde ouvir, lá das bandas do futuro,
A grande voz do Christo, a voz eterna,
Erguer-se sobre os filhos da verdade:
«—Felizes dos que soffrem—terão premio:
Feliz do pobre e triste, orphão de affectos,
Será rico: no céo seu pae o espera!»
Coimbra, Dezembro, 1861.
XV
DANTE—DIVINA COMEDIA
DANTE—DIVINA COMEDIA
(PURGATORIO, CANTO VI)
Oh Italia aviltada! Oh não sem rumo
No meio da tormenta!
E era esta a rainha das provincias?
Hoje… cloaca informe!
Outr'ora mal bradasse:—«Patria, Patria!»
Um cidadão, um filho,
Alma nobre—acolhias-l'o no seio
No seio que lhe abrias!
Agora espreita cada um o peito
Do visinho e olha o gladio:
E os que estreita no cinto o mesmo muro
E o mesmo fôsso… comem-se!
Alonga, alonga, oh triste, pelas praias
Teus olhos macerados;
Desce-os, desce, infeliz, ao proprio seio…
A paz! onde a encontraste?