(Primeira elaboração do Soneto de p. 30 dos Sonetos Completos)
Eu amo a vasta sombra das montanhas
Que estendem sobre os largos continentes
Os seus braços de rocha negra, ingentes,
Bem como braços colossaes de aranhas.
D'ali o nosso olhar vê tão extranhas
Coisas, por esse céo! e tão ardentes
Visões amostra o mar de ondas trementes
E as estrellas, d'ali, vê-as tamanhas.
Amo a grandeza tenebrosa e vasta:
A grande idéa como um grande fruito
De um'arvore colossal que isto domina;
Mas tu, criança, sê tu boa… e basta,
Sabe amar e sorrir… mulher, é muito…
Mas a ti só te quero pequenina…
Coimbra, 18 de abril de 1863.
VI
SARCASMOS
Está deserta a estrada do Infinito,
É apenas o cêo do nada espelho,
A eternidade é fossil: Deus é velho,
E o homem olha o céo de fito em fito!
A cruz de Christo está feita um palito,
Embrulham-se caminhos no Evangelho;
Cada qual dá a Deus o seu conselho:
Nem já é Verbo o verbo… é só um Dito!