Estranha apparição
Que em minhas noites vejo,
Ó filha do desejo!
Ó filha da soidão!
Não sei qual é o teu nome,
E d'onde vens ignoro:
Sei só que tremo e choro
Como de frio e fome!
Que por fundir comtigo
Suspiros, ais, rugidos,
Déra ideaes queridos,
Deuses e fé que sigo.
Sim! dera as prophecias
E os cultos salvadores,
E os Golgothas e as dôres
E as Biblias dos Messias!
Por ti minh'alma clama,
Corre a meus braços breve,
Sejas de fogo ou neve,
Sejas cristal ou lama!
Se és Beatriz, sou Dante;
Sou santo, se és divina;
Se és Laïs ou Messalina,
Sou Nero, ó minha amante!
1869.
XXII
SERENATA
D'esta poesia escreveu o auctor ao sr. dr. Wilhelm Storck, em carta por este communicada a J. de Araujo: «A… Serenata nunca foi impressa que eu saiba, embora não seja de modo algum inédita, pois tendo sido composta ha 4 annos, na Ilha de S. Miguel, a pedido de um grupo de rapazes, que ali formaram uma sociedade cantante, é lá muito conhecida e cantada por esses e outros nos seus passeios musicaes em bellas noites de verão.»