u) Diz Pero Vaz Caminha, na sua carta, que a frota seguiu o caminho que el-rei mandou que seguisse.[[22]]{15}

v) Levava Pedro Alvares Cabral na expedição um navio destinado a voltar para traz, dando conta do resultado da exploração ao occidente, que era a nau dos mantimentos.[[23]]

x) Fazendo-se os geraes de SE. na estação considerada, muito para E. depois de passar a linha para o sul, e justificando-se o desvio para oeste unicamente por vantagem da navegação, tinha a frota aproveitado aquella circumstancia favoravel do alargamento do vento, para barlaventear na direcção do Cabo da Boa Esperança; o que não fez, porquanto arribou para o occidente em direcção opposta áquella que deveria seguir pretendendo simplesmente montar o Cabo da Boa Esperança.[[24]]

y) Além das instrucções conhecidas dadas a Pedro Alvares Cabral, nenhuma prova ha de que elle não levasse tambem instrucções verbaes e confidenciaes; é mesmo evidente que deviam existir para tão delicada empreza, e, portanto estar entre estas incluida a de procurar terra ao occidente na sua travessia tão amarada do continente Africano.

z) A unica objecção até hoje apresentada contra a existencia de instrucções verbaes ou confidenciaes para procurar terra a oeste, é a de que em relação a este descobrimento, nada explica o segredo que d'ellas se fez anteriormente,{16} nem a falta de referencia posterior; mas esta razão contradictoria carece de fundamento, encontrando pelo contrario completa explicação na reserva que deveria haver nas explorações maritimas, desde que outras nações procuravam combater pela concorrencia a notavel expansão de Portugal sobre o globo.

A 3.ª hypothese fica evidentemente prejudicada em face dos fundamentos que justificam a hypothese anterior.

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Portanto em vista dos factos e razões apresentadas no decurso d'esta memoria, julgamos ter demonstrado com authenticidade e fundamento: que Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil porque levava instrucções de se desviar para oeste, não só por vantagem da navegação, como tambem para na sua passagem explorar os mares occidentaes, onde havia toda a probabilidade de existir terra.

Lisboa 7 de maio de 1892.