§. XIII.
Da Posiçaõ, e Numeros dos dedos.
Posta a Guitarra, naõ muito junta ao peito, com o braço para a parte esquerda, algum tanto levantado para o ar, e o bojo, ou cabaço, que fica na parte direita, mais baixo, quero dizer, sustida desta sorte a Guitarra no pulso da maõ direita, e no meio da chave da maõ esquerda, se observará, que os dedos que lhe competem, se numeraõ, e haõ de entender deste modo: como o dedo polex, chamado vulgarmente polegar, naõ faz figura na maõ esquerda, por estar fóra da posiçaõ de ferir as Cordas, por isso se deve entender, que o primeiro dedo da maõ esquerda, he o que fica logo acima do polegar, chamado index; e pela sua ordem os outros, sendo o minimo, chamado vulgarmente mendinho, o 4.o, ou ultimo. Na maõ direita porém, os dedos que competem, e devem ferir as Cordas, saõ os tres primeiros, que vem a ser o polegar, o 2.o, e 3.o; e os demais só em casos extraordinarios se usará delles.
§. XIV.
Da Pestana postiça, que se atarracha nos boracos da Guitarra, para augmentar o Tom.
Quando se quizer tocar algum Minuete, Marcha, ou outra qualquer Peça, por algum Tom mais alto, que o Tom natural de C, por evitar o fazer Pestana com o dedo index, póde usar-se da Pestana postiça, a qual he huma travessa pequena de marfim, ou d'osso, correspondente á largura do braço da Guitarra, que por baixo traz hum bocado de camurça, ou pelica collada, com que cobre o seu extremo inferior, que assenta sobre as Cordas, e que tem hum boraco no meio, pelo qual se mete hum perafuso, que atravessando naõ só a referida Pestana, como tambem o braço da Guitarra, que para isto mesmo tem pelo braço acima quatro boracos; em cada hum destes, atarrachada que seja a dita Pestana, se poderá formar o Tom que se pertender, os quaes saõ do modo, que relato no §. seguinte[72].
§. XV.
Dos Tons accidentaes, que se fórmaõ com a Pestana postiça.
Como os boracos, que as Guitarras ordinariamente trazem, naõ passaõ de quatro posta a travessa, que serve de Pestana, bem atarrachada no primeiro boraco, formará o Tom de D, com 3.a Maior: no segundo, formará o Tom de D♯♯, (que raras vezes se encontra) com 3.a Maior; ou o Tom E♭, chamado vulgarmente d'E-la-fa, com 3.a Maior: no terceiro, formará o Tom de E, chamado vulgarmente d'E-la-mi, com 3.a Maior: e finalmente no quarto, formará o Tom de F, com 3.a Maior[73].