«—E que fizeste depois?

«E tu respondeste-me:

«—Depois, OREI[[2]]

[V]

Quando o CRIME DO PADRE AMARO e o PRIMO BAZILIO de Eça de Queiroz estalaram como gritos de guerra nos dominios das lettras portuguezas, fez-se á volta do recem-chegado um clamor de admiração, que, para ser justo, só precisava de ser consciente. Quem isto escreve applaudiu e deu a razão do applauso. O romancista felicitou o critico pela comprehensão do trabalho e dos intuitos. Estes processos desusados tiram á critica a feição protectora e fixam a independencia da arte no sentido elevado e puro da palavra independencia[[3]].

Mas de par com as saudações criticadas surgiram as acclamações insensatas da turba multa e a exploração perfida do successo do romancista.

A perfidia consistia em jogar os livros de Eça de Queiroz como uma catapulta contra a obra de Camillo Castello Branco. Provocado o velho leão, não moribundo por mal dos aggressores, sahiu a terreno—zombando. O Euzebio Macario e a Corja são tiros certeiros contra a matulagem; não prejudicam nem visam a prejudicar os processos novos dos mestres{31} da ultima geração; mas põem a nota de bom senso na conta do que se derimia entre a velhacaria e a ignorancia e restabelecem a situação no seu terreno sob o ponto de vista da boa critica.

Mas fora dos dois livros de ironia buscaremos specimen de soberba execução artistica, alheia aos antigos processos do grande romancista. É do livro A Brazileira de Prazins. A galeria do romance portuguez não apresenta quadro mais vigoroso, nem mais surprehendente colorido tragico, com todas as nuances de uma observação que se evade á fadiga pelos primores incomparaveis dos seus moldes.

«O Melro, ás 8 da noite, quando os freguezes desalojaram, fechou a taverna; e, espreitando se os pequenos dormiam, disse á mulher:—A casa do Cambado é nossa, mas é preciso vindimar o Zeferino...

«—Credo!—exclamou a mulher com as mãos na cabeça.—Nossa Senhora nos acuda!