O ancião adormeceu com a cabeça deitada no madeiro da forca.

Uma hora depois, chegaram os bandidos, e ao verem-n'o, arrancaram dos punhaes para o assassinar.

A mãe, porém, contou-lhes a historia d'aquelle ancião, e pediu-lhes de joelhos que, longe de o matarem, se arrependessem, como elle, das suas enormes culpas.

—Pois bem, perdôe-se-lhe a vida, responderam os bandidos, fazendo entrar os punhaes na bainha, e accrescentaram, soltando uma gargalhada d'escarneo:

—Quanto ao arrependimento, havemos de o ter quando brotar o tal ramo verde d'esse madeiro secco.

Principiaram os bandidos a cêar. Quando acabaram, dirigiram a vista para o canto da cabana onde dormia o velho, e viram, com assombro, que do madeiro secco tinha brotado um ramo verde e mimoso! Romperam então em amargo pranto, rogando a Deus que lhes perdoasse as suas culpas.

Ao som de taes vozes acordou Cosme, e ao vêr que do madeiro secco tinha brotado uma vergontea verde e louçã, expirou de alegria; e o anjo baixou, sorrindo amorosamente, a tomar conta da sua alma, e a leval-a comsigo para o ceu.

FIM DO MADEIRO DA FORCA.


A NECESSIDADE