Os médicos chamavam-lhe pneumonia... mas eu chamava-lhe Saudade!
Todos os meus companheiros, á porfia, se esforçavam por me provar a sua amisade. D'elles porém havia um, a quem todos respeitavamos, que logo se collocou á cabeceira do meu leito, servindo-me regularmente de enfermeiro.
Não referirei aqui o seu nome por lhe não ferir a modestia, que a tem, em tão subido gráo como tu, e a qual eu não ouso devassar.
Recordo-me d'elle com muita saudade e muito reconhecimento.
E nunca mais nos encontramos!
Uma noite acordei e vi um vulto ajoelhado junto do meu leito; sobresaltou-me, porque me parecia um padre! Era elle, vestido de batina, e que resava no seu livro de orações!
Ergueu-se rapidamente e disfarçou para me não assustar.
Eu dissimulei; fingi que o não vira, e nunca lhe fallei d'esta scena edificante, que ha de sempre permanecer gravada no meu coração.
Este livro deve chegar um dia ás mãos d'esse nobre mancebo, de quem o destino me separou; que elle se recorde de mim com saudade, ao lêr estas palavras, e veja n'ellas a expressão do muito reconhecimento, que tambem lhe consagro.
A molestia aggravara-se, e ao terceiro dia, apresentava-se temerosa!