Dizem que nutre uma paixão secreta
Este Musset dos homens ignorado,
E pulsa um coração esphacelado,
Ali debaixo da casaca preta.
A todos diz ha muito andar blasé…
E falla em vasar copos d'absyntho,
Como quem bebe orchata ou capilé!…
Mas, Bacho! ó ceus! perdoem-me se minto!
Referem que uma noute, n'um café,
Acharam-o a libar do… vinho tinto!
*O VELHO*
D'entre os males crueis da Humanidade,
A que os vis animaes estão sujeitos,
Nenhum mais triste e cheio de defeitos…
Do que a dura e imbecil senilidade!
N'esta quadra de prantos e saudade,
Ha velhos d'alvas barbas sobre os peitos,
Que nos fazem lembrar, pelos seus geitos,
Orang-otangos de provecta edade.
E eu vi um velho assim!… Seus fortes braços…
Tinham como a rijesa dos bons aços…
E os seus gestos seriam d'um guerreiro…
Se não fossem seus labios já sem dentes,
Fazendo uns gestos comicos, ridentes…
—Como um macaco em cima d'um coqueiro!…