A ALMA
Cansada de soffrer, em vão anceio
O Justo, o Bello!—Ó terra, abre-me o seio!
Bastante, emfim soffri!
Estou lassa do Vicio, e da Impostura!
A CARNE
Dizem que a terra é fria, a cova escura,
E tudo acaba ahi!
A ALMA
Estes tempos são vis, e sem virtude!
Os corpos sem valor e sem saude,
Os peitos sem amor!
A CARNE
Mas ha corpos mui brancos e perfeitos!
Olhos cheios de luz—formosos peitos,
Tranças de negra côr!…
Ha noutes de prazer pelo caminho!
E abunda muito velho e forte vinho
Sem ser falsificado!
Nem tudo é luto e dôr!—Ha muito riso!
—E é mais quente que o antigo Paraiso
O seio do Peccado!