A CARNE
Vou vêr se ponho um capital a juros,
Que dê cento por cento!
A ALMA
Hontem, foram levar á sepultura
Uma santa mulher formosa e pura,
Celeste, livre d'erros!…
Tão virginal!… Ninguem lhe orou na cova!
A CARNE
Mandei fazer uma casaca nova
Para os grandes enterros!—
A ALMA
Nada é mais triumphante que o Egoismo,
A ambição de brilhar, o vil cynismo,
—E, n'este carnaval…
Custa a encontrar um peito bom, sincero!..
A CARNE
Foram-se os castellões, o negro clero!
—Saude ao Capital!…