Visões, visões talvez! Mas preso e adoro
Estes sonhos vermelhos e côr do ouro
De luta, vida e Acção…
Se não fosse inda a crença santa e ardente!…
A CARNE
—Deixa-me louca em paz—e emfim consente
Que faça a digestão!…
*AOS VENCIDOS*
Quando é que emfim virá o claro dia,
—O dia glorioso e suspirado!—
Que não corra mais sangue, esperdiçado
Á luz do Sol que os mundos alumia?!—
Que os vencidos não vejam a agonia
Do seu tecto de colmo incendiado,
E se ouça retumbar o monte e o prado,
Ao tropel da velloz cavallaria?!
Quando é que isto será?—Quando na vida,
Virá ella, a doce hora promettida,
Hora cheia d'amor, e desejada!…
Em que fataes Cains, fartos da guerra,
Nosso sangue não beba mais a terra…
—E nem mesmo a Justiça use d'Espada?!
*O MUNDO VELHO*
Nas crises d'este tempo desgraçado,
Quando nos pomos tristes a espalhar
Os olhos pela historia do passado…
Quem não verá, contente ou consternado,
—Mundo velho que estás a desabar—?!…