É preciso que a Morte, a dôr e os lutos
Se transformem em vinhas ostentosas,
Nossos prantos convertam-se nos fructos,
Do sangue dos heroes tinjam-se as rosas!
Soffrei, lutae, morrei, ó infelizes!
—O vosso sangue é util ás raizes!
*O OURO*
A Theophilo Braga
Dizia o ouro á pedra;—Ente mesquinho!
Que profundo scismar sempre te préga
Á beira d'uma estrada, ou d'um caminho,
Pasmada, mas sem ver, eterna cega?!
Em vão o orvalho a ti te lava e rega!
Em ti não cresce nunca pão, nem vinho,
Dura e inutil—o lodo é teu visinho,
E o homem só, por te pisar, t'emprega!
Em ti só medra e cresce o cardo os lixos!
Tu serves só d'abrigo ao lodo e aos bixos,
E ensanguentas os pés descalços, nus!
Ó pedra! quanto a mim, sou a Riqueza!
—A cega disse, então, com singeleza:
—Eu, tambem, guardo no meu seio a Luz!
*O BUDA*
(De Catullo Mendés)