—Vae pois, o Budha diz, salva e consolla!
*NO CALVARIO*
Maria com seus olhos magoados,
Ceus espirituaes, lavava em pranto
As largas chagas de Jesus, emquanto
Ria ao pé um dos tres crucificados.
Semblantes de mulher mortificados
Escondiam a dôr no casto manto;
Uma mulher d'Hennon chorava a um canto,
Jogavam sobre a tunica os soldados.
Martha, os pingos de sangue, alva açucena,
Dir-se-hia no bom seio recolhel-os;
Alguns riam brutaes d'aquella pena!…
Salomé tinha um mar nos olhos bellos;
João fitava a Cruz… Mas Magdalena,
Limpava a Christo os pés com seus cabellos!
*HÉLI! HÉLI!*
Quando elle, emfim, morrendo, elle o cordeiro,
Pomba mansa no ar pesado e immundo,
Pendeu-se como um lyrio moribundo,
Sobre a haste do tragico madeiro.
E lançando o espirito prufundo
Ao reino bello, grande, e verdadeiro,
Finou-se, emfim, chagado e justiceiro,
Ainda, ainda, perdoando ao mundo.
Um soldado romano vendo-o exposto,
E já morto na Cruz, com um desgosto,
Com a lança enristada o trespassou…